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quinta-feira, 7 de julho de 2016

A CABALA E OS ARCANOS O DEMÔNIO E A TORRE



 CAPÍTULO XV
ARCANO Nº. 15 - O DEMÔNIO A PAIXÃO
Letra Ayin Valor 70
Escravidão / Alegria / Riso / uma Nova Inteligência /  
Órgão da Visão

Signo Capricórnio Planeta Saturno
Descritivo: Nas águas da vida está a representação de Geburah (a Lei).  No meio, Tiphon Bafometo aparece sustendo na sua mão esquerda o Bastão de poder e na sua mão direita uma Serpente que se eleva. A sua mão direita é masculina e a esquerda é feminina; os seus seios indicam a sua condição de andrógino. Com o avental cobre-se a “Sabedoria” e do próprio avental aparece a cauda. A sua cara é disforme devido aos erros ou pecados. Bafometo foi representado como o "Latão" que actualmente a humanidade enegreceu  devido à degeneração. Devemos branquear o latão, o Diabo, o qual é o treinador psicológico e o guardião das portas do Santuário para que unicamente entrem os escolhidos, os que puderam superar todas as provas impostas pelo Diabo. SIGNIFICADO ESOTÉRICO DO ARCANO – O arcano 15 do Tarôt representa o Bode de Mendez, Lúcifer, Tiphon Bafometo, o Diabo.  
O alquimista deve roubar o fogo ao Diabo".  Quando trabalhamos com o arcano A.Z.F. roubamos o fogo ao Diabo, assim convertemo-nos em deuses, assim resplandece a estrela-de-cinco-pontas. Os cornos terminam em seis pontas. O arcano 6 é o sexo, indicando que no sexo está a libertação pela castidade ou a escravidão do homem pela paixão. Existe uma diferença em relação ao arcano nº. 1 a mão direita está em cima e esquerda aponta para baixo. O mistério do Bafometo é a alquimia sexual com base na compreensão e na transmutação das energias criadoras. O Bafometo dos Templários deve ler-se de modo inverso: «Tem-o-h-p-ab», símbolo das palavras latinas: Templi omnium hominum pacis abbas. Isto significa: «o Pai do templo, Paz universal dos homens». O arcano 15 aparece depois do arcano 13 o qual é a morte do Eu, do ego, do mim próprio; e do arcano 14 que é a Temperança, castidade que surge depois da morte do ego. O arcano 15 é pois o andrógino divino que volta a resplandecer, é o latão branqueado. Sabemos que para além do corpo, dos afectos e da mente está o Logoi interior, divinal.  Indiscutivelmente isso que é o Inefável, isso que é o Real, projecta o seu próprio reflexo, a sua sombra particular dentro de nós próprios aqui e agora. Obviamente tal sombra, tal reflexo lógico, é o treinador psicológico, “Lúcifer”, o tentador. Cada um de nós tem o seu Lúcifer particular. No Egipto dos Faraós, o Sol do Meio-Dia, o Sagrado Sol Absoluto, sempre esteve simbolizado por Osíris, enquanto que a sua sombra, o seu reflexo, o seu Lúcifer encontra-se alegorizado por Tiphon. Nos sagrados templos do velho Egipto dos Faraós, quando o neófito estava prestes a sofrer as provas da iniciação, um Mestre aproximava-se dele e murmurava-lhe ao ouvido esta frase misteriosa: «lembra-te que Osíris é um deus negro». Evidentemente esta é a cor específica das trevas e das sombras montanhosas, é o Diabo a quem sempre se ofereceram rosas negras. É também a cor do Caos Primitivo onde todos os elementos e germens da vida se misturam e se confundem totalmente. O símbolo do elemento terra, da noite e da morte radical de todos esses agregados psíquicos que no seu conjunto constituem o mim próprio. Precisamos com a máxima e inadiável urgência branquear o Diabo e isto só é possível lutando contra nós próprios, dissolvendo todo esse conjunto de agregados psíquicos que constituem o "eu", o mim próprio. Somente morrendo em nós próprios podemos branquear o “latão” e contemplar o Sol da Meia-Noite (o Pai). Isto significa vencer as tentações e eliminar todos e cada um dos elementos inumanos que temos dentro de nós como: (Ira, Cobiça, Luxúria, Inveja, Orgulho, Preguiça, Gula, etc.)
O ginásio psicológico da existência humana sempre requereu um treinador. O divino Daimon, citado tantas vezes por Sócrates, a própria sombra do nosso Espírito individual, é o treinador psicológico mais extraordinário que cada um de nós carrega dentro de si; ele coloca-nos em tentações com o  propósito de nos treinar, de nos educar. Somente assim é possível que surjam na nossa psique as preciosas gemas das virtudes. Agora pergunto-me e pergunto-vos: onde está a maldade de Lúcifer? Os resultados são os que falam, se não há tentação, não há virtude; quanto mais fortes forem as tentações, maiores serão as virtudes, importante é não cair em tentação e por isso devemos suplicar ao Pai dizendo: «não me deixeis cair em tentação». Só mediante a luta, o contraste, a tentação e a rigorosa disciplina esotérica é possível fazer surgir em nós as flores da virtude. Lúcifer, como mentor e educador, torna-se, con certeza, insólito, inusitado e extraordinário.

Existe na tentação luciférica uma didáctica insubstituível. Uma pedagogia portentosa, uma atração assombrosa, um incentivo inconfundível, uma instigação  oculta com propósitos divinos secretos; uma sedução, uma fascinação. Lúcifer-Prometeu é uno com o Logos Platônico, o ministro do Demiurgo Criador e resplandecente Senhor das Sete Mansões do Hades (Inferno), Sabbath e do Mundo Manifestado, a quem estão entregues a Espada e a Balança da Justiça Cósmica, uma vez que ele é indubitavelmente norma do peso, medida e número; o Horus, o Brahma, o Ahura-Mazda, etc., sempre inefável. Lúcifer (Lúci = luz, Fer = fogo)  é o Guardião da porta dos lumisiais para que não penetrem neles senão os ungidos que possuem o segredo de Hermes. Aqueles que maldizem temerariamente Lúcifer pronunciam-se contra o cósmico reflexo do Logos, anatematizam o Deus vivo manifestado na matéria e renegam a sempre  incompreensível Sabedoria revelando-se, de igual modo, nos contrários de Luz e Trevas, Semelhança, Parecença e Similitude; Sol e Sombra; Dia e Noite; lei dos contrários. O Diabo, o reflexo do nosso Logoi  interior foi a criatura mais excelsa antes de cairmos na geração animal. «branqueia o teu latão e queima os teus livros", repetem-nos todos os mestres da arte hermética. Aquele que branqueia o Diabo, fazendo-o voltar ao seu estado primigénio  e resplandecente; aquele que morre em si próprio aqui e agora, liberta o Prometeu agrilhoado, e este paga-lhe com acréscimos porque é um colosso com potestade sobre os Céus, sobre a Terra e sobre os Infernos. Lúcifer-Prometeu  integrado radicalmente com todas as partes do nosso “Ser”, faz de nós algo totalmente distinto, diferente, uma exótica criatura, um Arcanjo, uma potestade extraordinariamente divina.







CAPÍTULO XVI 
ARCANO Nº. 16 - A TORRE - FRAGILIDADE  
Peth Valor 80, 800
Exercitando o Poder da Consciência rumo ao Despertar
Órgão Boca
Planeta Marte 
Descritivo – Nas águas da vida, está o Báculo do poder, o Bastão de autoridade e o Cilício (chicote) que representam a Fragilidade. De ambos os lados destes símbolos estão as duas serpentes, positiva e a negativa. Da parte superior desce o Raio da Justiça Cósmica destruindo a torre a que os cabalistas chamam a Torre de Babel. Duas personagens são precipitadas para o fundo do Abismo, uma à direita e outra à esquerda; ao caírem fazem o sinal da estrela flamejante invertida com os braços, as pernas e a cabeça para baixo, simbolizando a queda dos Bodhisatwas. A queda é pelo sexo, por derramarem o Vaso de Hermes. Há que distinguir uma queda de uma descida; o iniciado desce à Nona Esfera durante o trabalho na «forja» para destruir os seus defeitos das regiões inferiores, para  logo ascender aos céus; um céu ganho depois de cada inferno trabalhado. O iniciado cai quando derrama o sémen. SIGNIFICADO ESOTÉRICO DO ARCANO – O arcano nº. 16 é o da Torre Fulminada, esta é a Torre de Babel. São muitos os iniciados que se deixam cair. São muitas as torres fulminadas. Todo o iniciado que derrama o Vaso de Hermes cai inevitavelmente. A lenda dos Anjos caídos tem-se repetido e continuará eternamente a repetir-se. Atualmente vivem no mundo, muitos Deuses-caídos. Estes agora estão disfarçados com corpos de homens. É necessário despertar a Consciência  para não se cair no Abismo da perdição; atualmente existem muitos chefes de grupos esotéricos com a Consciência  profundamente adormecida.  “Cegos guias de cegos, rodarão todos para o Abismo». Essa é a lei. Os seres humanos vivem totalmente adormecidos. É preciso despertar a Consciência  para não andar às cegas.  Os cegos podem cair no Abismo. O arcano 16 é muito perigoso. Aqueles estudantes que praticam exercícios esotéricos sem trabalhar no arcano A.Z.F. são semelhantes ao homem que edifica a sua casa sobre a areia; a sua edificação cairá no Abismo; devemos edificar sobre a «Pedra Viva». Essa pedra é o sexo. Aquele que desenvolve os chacras tendo os corpos internos lunares rodará para o Abismo, o seu templo será a torre fulminada. Aquele que engendra os seus corpos crísticos com o arcano A.Z.F. e trabalha no desenvolvimento dos seus chacras converte-se num CristoVivente.  

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