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quarta-feira, 25 de maio de 2016

O IMPERADOR ASPECTOS DO DOGMA E RITUAL ELIPHAS LEVI E CROWLEY

O IMPERADOR abordada como Dogma por Eliphas Levi

O Tetragrama
GEBURAH CHESED - PORTALIBRORUM - ELEMENTA
Há, na natureza, duas forças que produzem um equilíbrio, e os três são simplesmente uma única lei.
Eis o ternário resumindo-se na unidade, e, ajuntando a ideia à unidade à do ternário, chega-se ao quaternário, primeiro número quadrado e perfeito, fonte de todas as combinações numéricas e princípio de todas as formas.
Afirmação, negação, discussão, solução, tais são as quatro operações filosóficas do espírito humano.
A discussão concilia a negação com a afirmação, fazendo-as necessárias uma à outra. É assim que o ternário filosófico, produzindo-se do binário antagônico se completa pelo quaternário, base quadrada de toda verdade. Em Deus, conforme o dogma consagrado, há três pessoas, e estas três
pessoas são um só Deus. Três e um, dão a ideia de quatro, porque a unidade é necessária para explicar os três.
Por isso, em quase todas as línguas, o nome de Deus é de quatro letras, e, em hebreu, estas quatro letras fazem três, porque há uma delas que se repete duas vezes: a que exprime o Verbo e a criação o Verbo.
Duas afirmações tornam possíveis ou necessárias duas negações correspondentes. O ente é
significado, o nada não o é. A afirmação, como Verbo, e cada uma destas afirmações corresponde à
negação do seu contrário.
É assim que, conforme o dizer dos cabalistas, o nome do demônio ou do mal se compõe das letras
invertidas do próprio nome de Deus ou do bem.
Este mal é o reflexo perdido ou a miragem imperfeita da luz na sombra.
Mas tudo o que existe, quer em bem, quer em mal, quer na luz, quer na sombra, existe e se revela
pelo quaternário.
A afirmação da unidade supõe o número quatro, se esta afirmação volta à unidade como num círculo vicioso. Por isso, o ternário, como já observamos, se explica pelo binário e se resolve pelo quaternário, que é a unidade quadrada dos números pares e a base quadrangular do cubo, unidade de
construção, de solidez e de medida.
O tetragrama cabalístico: Jodhéva, exprime Deus na humanidade e a humanidade em Deus. Os
quatro pontos cardeais astronômicos são, relativamente a nós, o sim e o não da luz: o oriente e o
ocidente, e o sim e o não do calor: o sul e o norte.
O que está na natureza visível revela, como já o sabemos, conforme o dogma único da Cabala, o
que está no domínio da natureza invisível, ou das causas segundas, todas proporcionais e análogas
às manifestações da causa primeira.
Por isso, esta causa primeira sempre se revelou pela cruz: a cruz, esta unidade composta de dois, que se dividem um ao outro, para formar quatro; a cruz, esta chave dos mistérios da Índia e do
Egito, o Tau dos patriarcas, o signo divino de Osíris, o Stauros dos gnósticos, a chave de arco do
templo, o símbolo da maçonaria oculta; a cruz, este ponto central da junção dos ângulos retos de
dois triângulos infinitos; a cruz que, na língua nacional, parece ser a raiz primitiva e o substantivo
fundamental do verbo crer e do verbo crescer, reunindo, assim, as idéias de ciência, religião e
progresso.
O grande agente mágico se revela por quatro espécies de fenômenos, e foi classificado, pelas
experiências das ciências profanas sob quatro nomes: calórico, luz, eletricidade, magnetismo.
Deram-lhe também os nomes de tetragrama, inri, azoth, éter, od, fluido magnético, alma da terra,
serpente, lúcifer, etc.
O grande agente mágico é a quarta emanação da vida-princípio de que o sol é a terceira forma (ver
os iniciados da escola de Alexandria e o dogma de Hermes Trismegisto).
De modo que o olho do mundo (como o chamavam os antigos) é a miragem do reflexo de Deus e a
alma da terra é um olhar permanente do sol que a terra recebe e guarda por impregnação.
A lua concorre para esta impregnação da terra, repelindo para ela uma imagem solar durante a noite,
de sorte que Hermes teve razão de dizer, falando do grande agente: “O sol é seu pai, a lua é sua
mãe”. Depois, acrescenta: "O vento o trouxe no seu ventre, porque a atmosfera é o recipiente e como que o cadinho dos raios solares, por meio dos quais se forma esta imagem viva do sol que penetra a terra inteira, vivifica-a, fecunda-a e determina tudo o que se produz na sua superfície, por
seus eflúvios e suas correntes contínuas, análogas às do próprio sol”.
Este agente solar é vivente por duas forças contrárias: uma força de atração e uma forma de
projeção, o que faz Hermes dizer que ele sempre sobe e desce.
A força de atração se fixa sempre no centro dos corpos, e a forma de projeção nos seus contornos ou
na sua superfície.
É por esta dupla força que tudo é criado e tudo subsiste.
Seu movimento é um enrolamento e um desenrolamento sucessivos e indefinidos, ou antes
simultâneos e perpétuos, por espirais de movimentos contrários que nunca se encontram.
É o mesmo movimento que o sol, que atrai e repele, ao mesmo tempo, todos os astros do seu
sistema.
Conhecer o movimento deste sol terrestre, de modo a poder aproveitar das suas correntes e dirigi
las, é ter realizado a grande obra, e é ser senhor do mundo.
Armado de uma tal força, podeis vos fazer adorar e o vulgo vos julgará Deus.
O segredo absoluto desta direção foi possuído por alguns homens, e pode ainda ser achado. É o
grande arcano mágico; depende de um axioma incomunicável e de um instrumento que é o grande e
único athanor dos hermetistas do mais alto grau.
O axioma incomunicável está contido cabalisticamente nas quatro letras do tetragrama, dispostas do
modo como está representado na página seguinte, nas letras das palavras Azoth e Inri, escritas
cabalisticamente, e no monograma do Cristo, tal como estava bordado no lábaro, e que o cabalista
Postello interpreta pela palavra Rota, da qual os adeptos formaram o seu Tarô ou Tarot, repetindo
duas vezes a primeira letra, para indicar o círculo e fazer compreender que a palavra está invertida.
Toda a ciência mágica consiste no conhecimento deste segredo. Conhecê-lo e ousar servir-se dele é
a onipotência humana; mas revelá-lo a um profano é perdê-lo; revelá-lo até a um discípulo é abdicar
em favor desse discípulo, que, a partir desse momento, tem direito de vida e morte sobre o seu
iniciador (fá-lo no ponto de vista mágico), e o matará certamente, temendo a si próprio a morte.
(Isto nada tem de comum com os atos qualificados de assassinato em legislação criminal, desde que
a filosofia prática, que serve de base e ponto de partida às nossas leis não admite os fatos de
enfeitiçamento e influências ocultas).
Nós entramos, aqui, em revelações estranhas, e nos preparamos para todas as incredulidades e todos
os desprezos do fanatismo incrédulo; porque a religião de voltariana tem também seus fanáticos,
muito embora contra a vontade das grandes sombras que devem amuar-se, agora, de um modo
lastimoso, nas carneiras do Pantheon, enquanto catolicismo, sempre forte com suas práticas e seu
prestígio, canta o ofício sobre suas cabeças.
A palavra perfeita, aquela que é adequada ao pensamento que exprime, contém sempre virtualmente
ou supõe um quaternário: a idéia e suas três formas necessárias e correlativas, depois também a
imagem da coisa expressa com os três termos do juízo que a qualifica. Quando digo: “O ente
existe", afirmo implicitamente que o nada não existe.
Uma altura, uma largura que a altura divide geometricamente em dois, e uma profundidade separada
da altura pela intersecção da largura, eis o quaternário natural composto de duas linhas que se
cruzam. Há também, na natureza, quatro movimentos produzidos por duas forças que se sustêm
uma à outra por sua tendência contrária. Ora, a lei que rege os corpos é análoga e proporcional
àquela que governa os espíritos, e a que governa os espíritos é a própria manifestação do segredo de
Deus, isto é, do mistério da criação. Suponde um relógio de duas molas paralelas, com uma
endentação que as faça mover em sentido contrário, de modo que, uma afrouxando-se, aperte a
outra: assim, o relógio se dará corda por si mesmo, e tereis achado o movimento perpétuo. Esta
endentação deve ser para dois fins e de grande precisão. Será impossível de se achar? Não o cremos.
Mas quando um homem a tiver descoberto, este homem poderá compreender, por analogia, todos os
segredos da natureza: o progresso em razão direta da resistência.
O movimento absoluto da vida é, assim, o resultado perpétuo de duas tendências contrárias que
nunca são opostas. Quando uma das duas parece ceder à outra, é uma mola que recebe corda, e
podeis esperar uma reação de que é muito possível prever o momento e determinar o caráter; é
assim que, na época do maio fervor do cristianismo, o reino do Anticristo foi conhecido e predito.
Mas o Anticristo preparará e determinará a nova vinda e o triunfo definitivo do Homem-Deus.
Ainda isto é uma conclusão rigorosa e cabalística contida nas premissas evangélicas.
Assim, a profecia cristã contém uma quádrupla revelação:
1ª - a queda do mundo antigo e o triunfo do Evangelho sob a primeira vinda;
2ª - grande apostasia e vinda de Anticristo;
3ª -queda do Anticristo e volta às idéias cristãs;
4ª - triunfo definitivo do Evangelho ou segunda vinda, designada sob o nome de juízo final.
Esta quádrupla profecia contém, como se pode ver, duas afirmações e duas negações, a idéia de duas
ruínas ou mortes universais e de dois renascimentos; porque a toda idéia que aparece no horizonte social se pode assinar, sem temor de erro, um oriente e um ocidente, um zênite e um nadir. É assim
que a cruz filosófica é a chave da profecia, e que se podem abrir todas as portas de ciência com o
pantáculo de Ezequiel, cujo centro é uma estrela formada pelo cruzamento de duas cruzes.
 
A vida humana também não é formada destas quatro fases ou transformações sucessivas:
nascimento, vida, morte, imortalidade? E notai que a imortalidade da alma, necessitada como
complemento do quaternário, é cabalisticamente provada pela analogia, que é o dogma único da
religião verdadeiramente universal, como é a chave da ciência e a lei inviolável da natureza.
A morte, com efeito, não pode ser um fim absoluto, do mesmo modo que o nascimento não é um
começo real. O nascimento prova a preexistência do ente humano, pois que nada se produz do nada,
e a morte prova a imortalidade, porque o ente não pode cessar de existir, do mesmo modo que o
nada não pode cessar de não existir. Ente e nada são duas idéias absolutamente inconciliáveis, com
esta diferença: que a idéia do nada (idéia inteiramente negativa) sai da própria idéia do ente, de que
o nada nem mesmo pode ser compreendido como uma negação absoluta, ao passo que a idéia do
ente nem mesmo pode ser aproximada do nada, e ainda menos sair dele.
Dizer que o mundo saiu do nada é proferir um monstruoso absurdo. Tudo o que existe procede do
que existia; por conseguinte, tudo que existe nunca poderá não existir mais. A sucessão das formas é
produzida pelas alternativas do movimento: são fenômenos da vida que se substituem uns aos
outros, sem de destruírem. Tudo muda, porém nada perece. O sol não está morto quando desaparece
no horizonte; até as formas mais móveis são imortais e sempre substituem na permanência da sua
razão de ser, que é a combinação da luz com os poderes agregativos das moléculas da substância
prima. Por isso, elas se conservam no fluido astral, e podem ser evocadas e reproduzidas conforme a
vontade do sábio, como o veremos ao tratar da Segunda vista e da evocação das lembranças na
necromancia e noutras operações mágicas.
Voltaremos a tratar do grande agente mágico no quarto capítulo do Ritual, onde acabaremos de
indicar os caracteres do grande arcano e os meios de prender este formidável poder.
Digamos, aqui, duas palavras dos quatro elementos mágicos e dos espíritos elementares.
Os elementos mágicos são: em alquimia, o sal, o mercúrio, o enxofre, e o azoth; em Cabala, o
macrocosmo, o microcosmo e as duas mães; em hieróglifos, o homem, o águia, o leão e o touro; em
física antiga, conforme os termos e as ideias vulgares, o ar, a água, a terra e o fogo.
Em magia, sabe-se que a água não é a água ordinária; que o fogo não é simplesmente fogo, etc.
Estas expressões ocultam um sentido mais elevado. A ciência moderna decompôs os quatro
elementos dos antigos e encontrou neles muitos corpos considerados simples. O que é simples é a substância prima e propriamente dita; só há, pois, um elemento material e este elemento se
manifesta sempre pelo quaternário, nas suas formas. Conservaremos, pois, a sábia distinção das
aparências elementares, admitida pelos antigos, e reconheceremos o ar, o fogo, a terra e a água pelos
quatro elementos positivos e visíveis da magia.
O sutil e o espesso, o dissolvente rápido e o dissolvente lento, ou os instrumentos do calor e do frio,
formam, em física oculta, os dois princípios positivos e os dois princípios negativos do quaternário,
e devem ser figurados assim:
O Azoth
A Águia
O Ar
O Enxofre A Água
O Fogo O Homem
O Leão O Mercúrio
O Sal
O Touro
A Terra

O ar e a terra representam, assim, o princípio masculino, o fogo e a água se referem ao princípio
feminino, pois que a cruz filosófica dos pantáculos é, como já dissemos, um hieróglifo primitivo e
elementar do lingham dos ginosofistas.
A estas quatro formas elementares correspondem as quatro idéias filosóficas seguintes:
O Espírito
A Matéria
O Movimento
O Repouso

A ciência inteira, com efeito, está na inteligência destas quatro coisas, que a alquimia reduzia a três:
O Absoluto
O Fixo
O Volátil

e que a Cabala refere à própria idéia de Deus, que é razão absoluta, necessidade e liberdade, tríplice
noção expressa nos livros ocultos dos Hebreus.
Sob os nomes de Kether, Hocmah e Binah para o mundo divino, de Tiphereth, Hesed e Geburah no
mundo moral, e, enfim, de Yesod, Hod e Netsah no mundo físico, que, com o mundo moral, está
contido na idéia do reino ou Malkuth, explicaremos, no décimo capítulo deste livro, esta teogonia,
tão racional quanto sublime.
Ora, os espíritos criados, sendo chamados à emancipação pela prova, são colocados, desde o seu
nascimento, entre estas quatro forças, duas positivas e duas negativas, e são postos em condições de
afirmar ou negar o bem, de escolher a vida ou a morte. Achar o ponto fixo, isto é, o centro moral da
cruz, é o primeiro problema que lhe é dado para resolverem; a sua primeira conquista deve ser a da
sua própria liberdade.
Começam, pois, por ser arrastados uns ao norte, outros ao sul; uns à direita, outros à esquerda, e,
enquanto não são livres, não podem ter o uso da razão, nem se encarnarão a não ser em formas
animais. Estes espíritos não emancipados, escravos dos quatro elementos, são o que os cabalistas
chamam os demônios elementares, e povoam os elementos que correspondem ao seu estado de
servidão. Existem, pois, realmente silfos, ondinas, gnomos e salamandras, uns errantes e procurando
encarnarem-se, outros encarnados e vivendo na terra. Estes são os homens viciosos e imperfeitos.
Voltaremos a este assunto no décimo quinto capítulo, que trata dos encantamentos e dos demônios.
É também uma tradição de física oculta que fez ser admitida, pelos antigos, a existência das quatro idades do mundo; somente que não se dizia ao vulgo que essas quatro idades deviam ser sucessivas,
como as quatro estações do ano e renovar-se também. Assim, a idade de ouro passou e ainda está para vir. Mas isto se refere ao espírito de profecia, e falaremos disso no capítulo nono, que trata do
iniciado e do vidente.
Ajuntaremos, agora, a unidade ao quaternário, e teremos conjunta e separadamente as idéias da síntese e da análise divinas, o deus dos iniciados e dos profanos. Aqui o dogma se populariza e
torna-se menos abstrato; o grande hierofante intervém.


O IMPERADOR abordada como Ritual por Eliphas Levi

A CONJURAÇÃO DOS QUATRO
As quatro formas elementais separam e especificam, por uma espécie de esboço, os espíritos criados que o movimento universal desembaraça do fogo central. Em toda parte, o espírito elabora e fecunda a matéria pela vida; toda matéria é animada; o pensamento e a alma estão em toda parte.
Apoderando-se do pensamento, que produz as diversas formas, a pessoa se torna senhora das formas e as faz servir ao seu uso.
A luz astral está saturada de almas, que desprende na geração incessante dos seres. As almas têm vontades imperfeitas que podem ser dominadas e empregadas por vontades mais poderosas; então formam, então, grandes correntes invisíveis e podem ocasionar ou determinar grandes comoções elementares.
Os fenômenos observados nos processos de magia, e, muito recentemente, pelo Senhor Eudes de Mirville, não têm outras causas.
Os espíritos elementais são como as crianças: atormentam mais os que se ocupam deles, a não ser que sejam dominados por uma elevada razão e uma grande severidade.
São estes espíritos que designamos sob o nome de elementos ocultos. São eles, muitas vezes, que
determinam para nós os sonhos inquietantes ou bizarros; são eles que produzem os movimentos da
baqueta adivinhatória e os golpes dados nas paredes ou nos móveis; mas nunca podem manifestar outro pensamento que não seja o nosso, e se não pensamos, nos falam com toda a incoerência dos
sonhos.
Reproduzem indiferentemente o bem e o mal, porque não têm livre-arbítrio e, por conseguinte, não
têm responsabilidade; mostram-se aos extáticos e sonâmbulos sob formas incompletas e fugitivas. É
o que deu lugar aos pesadelos de Santo Antonio e, muito provavelmente, às visões de Swedenborg;
não são condenados nem culpados; são curiosos e inocentes. Podemos usar ou abusar deles como dos animais e das crianças. Por isso, o magista que emprega o seu concurso assume sobre si uma
responsabilidade terrível, porque deverá expiar todo o mal que lhes fizer praticar, e a grandeza dos
seus tormentos será proporcionada à extensão do poder que tiver exercido por meio deles.
Para dominar os espíritos elementais e tornar-se, assim, rei dos elementos ocultos, é preciso ter
primeiramente sofrido as quatro provas das antigas iniciações e, como estas iniciações não existem
mais, é necessário substituí-las por ações análogas, como: expor-se, sem temor, num incêndio;
atravessa um abismo sobre um tronco de árvore ou sobre uma tábua; subir ao cimo de uma
montanha durante um tempestade; passar a nado uma cascata ou redemoinho perigoso. O homem
que tem medo da água nunca reinará sobre as ondinas; aquele que teme o fogo nada pode ordenar às
salamandras; enquanto podemos sentir vertigem é preciso deixarmos em paz os silfos e não irritarmos os gnomos, porque os espíritos inferiores só obedecem a um poder que lhes provamos,
mostrando-nos seus senhores até no seu próprio elemento.
Quando tivermos adquirido, pela ousadia e o exercício, este poder incontestável, é preciso
impormos aos elementos o verbo da nossa vontade, por consagrações especiais do ar, do fogo, da
água e da terra, e é este o começo indispensável de todas as operações mágicas.
Exorcizamos o ar, soprando para os quatro pontos cardeais dizendo:
Spiritus deiferebátur súper áquas, et inspirávit in fáciem hóminis spiráculum vitae. Sit Michael dux
meus, et Sabtabiel sérvus meus in luce et per lucem.
Fiat verbum hálitus meus; et imperábo spiritibus áeris hujus, et refroenábo équos solis voluntáte
cordis méis, et cogitatóne mentis meae et nutu óculi déxtri
Exorciso ígitur te, creatúra deris, Pentagrámmaton et in nómine Tetragrámmaton, in quibus sunt
volúntas firma et fides recta. Sela Fiat.
Que assim seja.
Recita-se, em seguida, a oração dos silfos, depois de ter traçado no ar o seu signo com uma pena de
águia.
ORAÇÃO DOS SILFOS
“Espírito de sabedoria, cujo sopro dá e retoma a forma de todas as coisas; tu, diante de quem a vida
dos seres é uma sombra que muda a um vapor que passa; tu, que sobres às nuvens e que caminhas
nas asas dos ventos; tu, que expiras, e os espaços sem fim são povoados; tu, que aspiras, e tudo o
que de tivem a ti volta: movimento sem fim na estabilidade eterna, sê eternamente bendito. Nós te
louvamos e te bendizemos no império móvel da luz criada, das sombras, dos reflexos e das imagens,
e aspiramos incessantemente à tua imutável e imperecível claridade. Deixa penetrar até nós o raio
da tua inteligência e o calor do teu amor: então o que é móvel ficará fixo, a sombra será um corpo, o
espírito do ar será uma alma, o sonho será um pensamento. E nós não seremos mais arrastados pela
tempestade, porém seguraremos as rédeas dos cavalos alados da manhã e dirigiremos o curso dos
ventos da tarde, para voarmos diante de ti. Ó espírito dos espíritos, ó alma eterna das almas, ó sopro
imperecível de vida, ó suspiro criador, ó boca que aspiras e expiras a existência de todos os entes,
no fluxo e refluxo da tua eterna palavra, que é o oceano divino do movimento e da verdade.
Amém”.
Exorcizamos a água pela imposição das mãos, pelo sopro e pela palavra, misturando-lhe o sal
consagrado com um pouco de cinza que fica na caixinha de perfumes. O aspersório se faz com
ramos de verbena, pervinca, salsa, hortelã, valeriana, freixo e manjericão, ligados por um fio tirado
das colunas do leito de uma virgem, com um cabo de amendoeiro que ainda não tenha dado frutos, e
no qual gravareis, com a pinça mágica, os caracteres dos sete espíritos. Benzereis e consagrareis
separadamente o sal e a cinza dos perfumes, dizendo:

SOBRE O SAL
In isto sale sit sapiéntia, et ómne corruptióne sérvet mentes nostras et corpora nostra, per
Hochmael et in virtúte Ruach-Hochmael, recédant ab isto phantásmata hylae ut sit sal coeléstis, sal
térrae et térra salis, ut nutriéturbos tritúrans et áddat spei nostrae córnua tauri volántis. Amen”.

SOBRE A CINZA
“Revértátur cinis adfóntem aquárium vivéntium, e fiat térra fructificans, et germinet árborem vitae
per tria nómina, quae sunt Netsah et Yesod, in principio et in fine, per Alpha et Omega qui sunt in
spiritu AZOTH. Amen”.

MISTURANDO A ÁGUA, O SAL E A CINZA
“In sale sapientiae aeternae, et in áqua regeneratiónis, et cínere germinante térram novam, ómnia
fíant per Elohim, Gabriel, Raphael et Uriel, in saecula et aeónas. Amen”.
EXORCISMO DA ÁGUA
“Fiat firmaméntum in médio aquárium et sepáret áquas ab aquis, quae supérius sicut inférius, et
quae inférius sicut quae supérius, ad perpetránda mirácula rei uníus. Sol ejus pater est, luna máter
et ventus hanc gestávit in útero suo, ascéndit a térra ad coelum et rúrsus a coelo in térram
descéndit. Exórciso te, creatúra áquae, ut sis mihi spéculum Dei vivi in opéribus ejus, etfons vitae,
et ablútio peccatórum. Amen”.

ORAÇÃO DAS ONDINAS
“Rei terrível do mar, vós que tendes as chaves das cataratas do céu e que encerrais as águas
subterrâneas nas cavernas da terra; rei do dilúvio e das chuvas da primavera, a vós que abris as
nascentes dos rios e das fontes, a vós que ordenais à umidade, que é como que o sangue da terra, de
tornar-se seiva das plantas, nós vos adoramos e vos invocamos. A nós, vossas móveis e variáveis
criaturas, falai-nos nas grandes comoções do mar, e tremeremos diante de vós; falai-nos também no
murmúrio de límpidas águas, e desejaremos o vosso amor. Ó imensidade na qual vão perder-se
todos os rios do ser, que sempre renascem em vós! Ó oceano das perfeições infinitas! Altura que
vos mirais na profundidade; profundidade que exalais na altura, levai-nos à verdadeira vida pela
inteligência e pelo amor! Levai-nos à imortalidade pelo sacrifício, a fim de que sejamos
considerados dignos de vos oferecer, um dia, a água, o sangue e as lágrimas, para remissão dos
erros. Amém”.
Exorcizamos o fogo, pondo nele sal, incenso, resina branca, cânfora e enxofre, e pronunciando três
vezes os três nomes dos gênios do fogo: Michael, rei do sol e do raio; Samael, rei dos vulcões, e
Anael, príncipe da luz astral; depois recitando a oração das salamandras.
Oração das Salamandras
“Imortal, eterno, inefável e incriado pai de todas as coisas, que és levado no carro sem cessar
rodante dos mundos que giram sempre; dominador das imensidades etéreas, onde está ereto o trono
do teu poder, e cima do qual teus olhos formidáveis descobrem tudo e teus belos e santos ouvidos
escutam tudo, atende aos teus filhos, que amaste desde o nascimento dos séculos; porque a tua
dourada, grande e eterna majestade resplandeça acima do mundo e do céu das estrelas; estás elevado
acima delas, ó fogo faiscante; aí, tu te acendes e te conservas a ti mesmo pelo teu próprio esplendor,
e saem da tua essência regatos inesgotáveis de luz, que nutrem teu espírito infinito. Este espírito
infinito alimenta todas as coisas e faz este tesouro inesgotável de substância sempre pronta à
geração que elabora e que se apropria das formas de que a impregnaste desde o princípio. Deste
espírito tiram também sua origem estes reis mui santos que estão ao redor do teu trono e que
compõem a tua corte, ó pai universal! Ó único! Ó pai dos felizes mortais e imortais.
“Criaste, em particular, potências que são maravilhosamente semelhantes ao teu eterno pensamento
e à tua essência adorável; tu as estabeleceste superiores aos anjos, que anunciam ao mundo as tuas
vontades; enfim, nos criaste na terceira ordem no nosso império elementar. Aqui, o nosso contínuo
exercício é louvar e adorar os teus desejos; aqui, ardemos incessantemente aspirando a possuir-te. Ó
pai! Ó mãe! Ó mais terna das mães! Ó arquétipo admirável da maternidade e do puro amor! Ó filho,
flor dos filhos! Ó forma de todas as formas, alma, espírito, harmonia e número de todas as coisas!
Amém”.
Exorcizamos a terra pela aspersão da água, pelo enxofre e pelo fogo, com os perfumes próprios para
cada dia, e proferimos a oração dos gnomos.

ORAÇÃO DOS GNOMOS
“Rei invisível, que tomastes a terra para apoio e que cavastes os seus abismo para enchê-los com a
vossa onipotência; vós, cujo nome faz tremerem as abóbadas do mundo, vós que fazeis correr os
sete metais nas veias das pedras, monarca das sete luzes, remunerador dos operários subterrâneos,
levai-nos ao ar desejável e ao reino da claridade. Velamos e trabalhamos sem descanso, procuramos
e esperamos, pelas doze pedras da cidade santa, pelos talismãs que estão escondidos, pelo cravo de
ímã que atravessa o centro do mundo. Senhor, Senhor, Senhor, tende piedade dos que sofrem,
desabafai os nossos peitos, desembaraçai e elevai as nossas cabeças, engrandecei-nos. Ó
estabilidade e movimento, ó dia envolto de noite, ó obscuridade coberta de luz! Ó senhor, que nunca
retendes convosco o salário dos vossos trabalhadores! Ó brancura Argentina, ó esplendor dourado!
ó coroa de diamantes vivos e melodiosos! Vós que levais o céu no vosso dedo, com um anel de
safira, vós que escondeis em baixo da terra, o reino das pedrarias, a semente maravilhosa das
estrelas, vivei, reinai e sede o eterno dispensador das riquezas de que nos fizestes guardas. Amém”.
É preciso observar que o reino especial dos gnomos é ao norte, o das salamandras ao sul, o dos
silfos ao oriente e o das ondinas ao ocidente. Eles influem sobre os quatro temperamentos do
homem, isto é, os gnomos sobre os melancólicos, as salamandras sobre os sangüíneos, as ondinas
sobre os fleumáticos e os silfos sobre os biliosos. Os seus signos são: os hieróglifos do touro para os
gnomos, e os governamos com a espada; do leão para as salamandras, e os dirigimos com a baqueta
bifurcada ou o tridente mágico; da águia para os silfos, e os mandamos com os santos pantáculos;
enfim, do aquário para as ondinas, e as evocamos com o copo de libações. Os seus soberanos
respectivos são: Gob para os gnomos, Djîn para as salamandras, Paralda para os silfos e Nicksa para
as ondinas.
Quando um espírito elemental vem atormentar ou ao menos inquietar os habitantes deste mundo, é
preciso conjurá-lo pelo ar, pela água, pelo fogo e pela terra, soprando, aspergindo, queimando
perfumes e traçando no chão a estrela de Salomão e o pentagrama sagrado. Estas figuras devem ser
perfeitamente regulares e feitas, quer com carvão do fogo consagrado, quer com um caniço,
molhado em tinta de diversas cores, misturadas com ímã pulverizado. Depois, tendo na mão o
pantáculo de Salomão e tomando, cada qual por sua vez, a espada, a baqueta e o copo, pronunciaremos nestes termos em voz alta a conjuração dos quatro:
“Caput mórtuum imperet tibi Dóminus per vivum et devótum serpentem”.
“Cherub, imperet tibi Dóminus per Adam Iotchavah”!
“Quila érrans, imperet tibi Dóminus per alas Tauri. Serpens, imperet tibi”.
“Dóminus tetrámmaton per ángelum et leónem”! “Michael, Gabriel, Raphael, Anael”!
“FLÚAT ÚDOR perspiritum ELOHIM”.
“MÁNEAT TERRA per Adam IOT-CHAVAH”.
“FIAT FIRMAMÉNTUM per IAHUVEHU-ZEBAOTH”.
“FIAT JUDÍCIUM per ígnem in virtude MICHAEL”.

“Anjo de olhos mortos, obedece, ou escorre-te com está água santa”.
“Touro alado, trabalha ou volta à terra, se não queres que te aguilhoe com esta espada”.
“Águia acorrentada, obedece a este signo, ou retira-te diante deste sopro”. “Serpente móvel, arrasta-te a meus pés ou sê atormentada pelo fogo sagrado e evapora-te com os
perfumes que queimo nele”.
“Que a água volte à água; que o fogo queime; que o ar circule; que a terra caia na terra, que a
virtude do pentagrama, que é a estrela da manhã, e em nome do tetragrama, que está escrito no
centro da cruz luminosa. Amém”.
O sinal da cruz adotado pelos cristãos não lhes pertence exclusivamente. É também cabalístico e
representa as oposições e o equilíbrio quaternário dos elementos. Vemos, pelo versículo oculto do
Pater que assinalamos no nosso Dogma, que, primitivamente, havia duas maneiras de o fazer ou, ao
menos, duas fórmulas bem diferentes para o caracterizar; uma reservada aos padres e iniciados; a
outra oferecida aos neófitos e profanos. Assim, por exemplo, o iniciado, levando a mão à sua testa,
dizia:
A ti; depois acrescentava: pertencem; e continuava, levando a mão ao peito: o reino; depois, ao
ombro esquerdo: a justiça; ao ombro direito: e a misericórdia. Depois ajuntava as duas mãos,
acrescentando: nos ciclos geradores. Tibi sunt Malchut et Geburah et Chesed per aeonas. Sinal da
cruz absoluta e magnificamente cabalístico, que as profanações do gnosticismo fizeram a Igreja
militante e oficial perder completamente.
Este sinal, feito deste modo, deve preceder e terminar a conjuração dos quatro.
Para dominar e submeter os espíritos elementais é preciso nunca se abandonar aos defeitos que os
caracterizam. Assim, nunca um espírito leviano e caprichoso governará os silfos. Nunca uma
natureza débil, fria e inconstante será senhora das ondinas; a cólera irrita aas salamandras e a
grosseria cupida faz dos que domina joguetes dos gnomos.
Porém, é preciso ser pronto e ativo como os silfos; flexível e atento às imagens como as ondinas;
enérgico e forte como as salamandras, laborioso e paciente, como os gnomos; numa palavra, é preciso vencê-los nas suas forças, sem nunca se deixar subjugar pelas suas fraquezas. Quando
estiver bem firme nesta disposição, o mundo inteiro estará a serviço do sábio operador. Ele passará
durante a tempestade, e a chuva não tocará na sua cabeça; o vento nem mesmo desarranjará uma
dobra do seu vestuário; atravessará o fogo sem ser queimado; caminhará sobre a água, e verá os
diamantes através da espessura da terra. Estas promessas, que podem parecer hiperbólicas, são-no somente na inteligência do vulgo, porque, se o sábio não faz material e exatamente as coisas que
estas palavras exprimem, fará outras muito maiores e mais admiráveis. Todavia é indubitável que
podemos, pela vontade, dirigir os elementos numa certa medida, e mudar ou fazer parar realmente
os seus efeitos.
Por que, por exemplo, se foi verificado que pessoas, no estado de êxtase, perdem momentaneamente o seu peso, não se poderia andar ou deslizar sobre a água? Os convulsionários de Saint-Medard não
sentiam nem o fogo nem o ferro, e solicitavam, como alívio, os golpes mais violentos e as torturas
mais incríveis. As estranhas ascensões e o equilíbrio prodigioso de certos sonâmbulos, não são uma
revelação destas forças ocultas da natureza? Mas vivemos num século em que ninguém tem coragem de confessar os milagres de que é testemunha, e se alguém vem dizer: “Vi ou fiz por mim
mesmo as coisas que vos conto”, dir-lhe-ão: “Quereis divertir-vos à nossa custa, ou estais doente”.
É melhor calar-se e agir.
Os metais correspondentes às quatro formas elementais são o ouro e a prata para o ar, o mercúrio
para a água, o ferro e o cobre para o fogo, e o chumbo para a terra. Compõem-se com eles talismãs
relativos às forças que representam e aos efeitos que nos propusermos obter delas.
A adivinhação pelas quatro formas elementares, que chamamos aeromancia, hidromancia, piromancia e geomancia, se faz de diversas maneiras, a quais dependem todas da vontade e do
translúcido ou da imaginação do operador.
Com efeito, os quatro elementos são simplesmente instrumentos para ajudar a segunda vista.
A segunda vista é a faculdade de ver na luz astral.
Esta segunda vista é natural como a primeira vista ou vista sensível e ordinária; porém, ela só pode
operar-se pela abstração dos sentidos. Os sonâmbulos e extáticos gozam naturalmente da segunda
vista; mas esta vista é mais lúcida quando a abstração é mais completa.
A abstração produz-se pela embriaguez astral, isto é, por uma superabundância de luz que satura
completamente e, por conseguinte, deixa inerte o instrumento nervoso.
Os temperamentos sanguíneos são mais dispostos a aeromancia, os biliosos a piromania, os
pituitosos a hidromancia, e os melancólicos a geomancia.
A aeromancia confirma-se pela oniromancia ou adivinhação por sonhos; supre-se a piromania pelo
magnetismo, a hidromancia pela cristalomancia, e a geomancia pela cartomancia. São transposições
e aperfeiçoamentos de métodos.
Mas a adivinhação, de qualquer modo que a operemos, é perigosa ou, ao menos, inútil, porque
desanima a vontade e embaraça, por conseguinte, a liberdade e fatiga o sistema nervoso.


O IMPERADOR   por Crowley
Esta carta é atribuída à letra  Tzaddi e se refere ao signo de Áries no zodíaco. Este signo é regido por Marte e aí o Sol é exaltado. Este signo é assim uma combinação de energia em sua forma mais material com a ideia de autoridade. O sinal TZ ou TS sugere isso na forma original, onomatopaica da linguagem. É derivado de raízes do sânscrito significando cabeça e idade e é encontrado hoje em palavras como Caesar, Tsar, Sirdar, Senate, Senior, Signor, Señor, Seigneur.  
A carta representa uma figura masculina coroada, de vestes e insígnias da dignidade imperial. Está sentado no trono cujos remates de coluna são as cabeças do carneiro selvagem do Himalaia, já que Áries significa carneiro. Aos seus pés, deitado com a cabeça levantada está o cordeiro com  o estandarte para confirmar essa atribuição no plano inferior, pois o carneiro, por natureza, é um animal selvagem e corajoso se solitário em sítios solitários, enquanto que quando domesticado e forçado a repousar em pastos verdes, é reduzido a um animal dócil, covarde, gregário e suculento. Esta é a teoria do governo.  
O Imperador é também uma das mais importantes cartas alquímicas, constituindo com o Atu II e III a tríade: Enxofre, Mercúrio, Sal. Seus braços e cabeça formam um triângulo ereto; abaixo, as pernas cruzadas representam a  cruz. Esta figura é o símbolo alquímico do Enxofre (ver Atu X ). O Enxofre é a energia ígnea masculina do universo, o Rajas da filosofia hindu. Esta é a energia criativa ágil, a iniciativa de todo o Ser. O poder do Imperador é uma generalização do poder paterno, daí tais símbolos como a abelha e a  flor-de-lis, exibidos nesta carta. Com referência à qualidade desse poder, é forçoso notar que ele representa atividade súbita, violenta, porém não pertinente. Se persistir tempo
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demais, queima e destrói. Trata-se de energia distinta da energia criativa de  Aleph e Beth: esta carta está abaixo do Abismo.  
O Imperador porta um cetro (encimado pela cabeça de um carneiro pelas razões já expostas) e uma esfera encimada por uma cruz de Malta, que significa que sua energia atingiu uma emissão bem sucedida, que seu governo foi estabelecido.  
Há ainda um outro símbolo importante. Seu escudo representa a águia bicéfala coroada por uma disco carmesim. Isto representa a tintura vermelha do alquimista, da natureza do ouro, como a águia branca mostrada no Atu III pertence à sua consorte, a Imperatriz, e é lunar, de prata.  
Deve-se finalmente observar que a luz branca que desce sobre ele indica a posição desta carta na Árvore da Vida. A autoridade do Imperador provém de Chokmah, a sabedoria criativa, a Palavra, e é exercida sobre Tiphareth, o homem organizado. 


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